quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

266 - MÁRIO CARDOSO ESPERA MAIOR RECONHECIMENTO DAS AUTORIDADES PARA A IMPLANTAÇÃO DO XADREZ NAS ESCOLAS PARAENSES

Entrevista com o Prof. MÁRIO CARDOSO
Responsável pelo PROJETO XADREZ ESCOLAR da SEDUC, o Professor Mário de Nazaré Moreira Cardoso conseguiu chegar a quase todos os municípios do Estado do Pará massificando o Xadrez nas Escolas. Este imenso trabalho levou algumas pessoas a criarem a FEPAXE - FEDERAÇÃO PARAENSE DE XADREZ ESCOLAR, alavancando o enxadrismo e a educação, uma importante forma de oferecer aos jovens e estudantes ações que façam com que estes se ocupem. Graças ao produtivo trabalho do Prof. Mário Cardoso, foi possível a distribuição de mais de 3.000 tabuleiros de xadrez pelo Pará todo, capacitados mais de 2.500 professores. Em recente visita ao município de Marabá, no mês de dezembro de 2010 quando retornava de Brasília, após receber reconhecimento nacional do 2º PRÊMIO BRASIL DE ESPORTE E LAZER DE INCLUSÃO SOCIAL onde fez a doação de 15 jogos de Xadrez e comentou sobre a realização de projetos educativos e esportivos. O Clube Xadrez rende-lhes votos de parabéns, reconhece o trabalho de incentivo do xadrez nas escolas paraenses. Também agradece por responder a nossa entrevista.



CX Marabá: O Senhor foi destaque nacional ao receber em Brasília premiação por conta do 2º PRÊMIO BRASIL DE ESPORTE E LAZER DE INCLUSÃO SOCIAL. Como o senhor se sentiu considerando que foi a primeira vez que o Estado do Pará teve um trabalho social com  Xadrez, reconhecido e premiado pelo Ministério dos Esportes?
Mário Cardoso: Não tem como negar que me senti honrado com a premiação, principalmente se considerarmos que ela foi a única para o estado do Pará referente ao xadrez escolar.


CX Marabá: Esta premiação tem o mérito de abrir portas, seja junto ao Governo do Estado, patrocinadores e até mesmo em âmbito escolar?
Mário Cardoso: Na verdade é o que mais gostaria que acontecesse. Porém, aqui no Pará as autoridades ainda não perceberam a importância do xadrez escolar como uma poderosa ferramenta pedagógica. Vamos esperar para ver se com todo esse reconhecimento nacional obtido com o prêmio as coisas melhoram por aqui.


CX Marabá: Com apenas um ano de existência a FEPAXE já desponta com um boa proposta educacional, conte-nos sobre os eventos e projetos que mais se destacaram neste primeiro ano da Federação.
Mário Cardoso: Todos nós sabemos que montar uma federação é uma tarefa muito complicada, porque se trata de uma entidade sem fins econômicos. Então, neste primeiro ano trabalhamos mais com a organização dos documentos e divulgação da mesma. Mesmo assim, conseguimos fazer alguns eventos, que entre eles estão I Torneio de Xadrez para Deficiente Visual (que não existia antes no Pará); realizamos a I Copa Sophos de Xadrez; desenvolvemos cursos de capacitação para algumas escolas particulares como o Moderno e São Paulo (que olham com mais carinho para o xadrez escolar); realizamos também alguns eventos com comunidades carentes, com o xadrez gigante, que foi outra novidade no Pará. Quem sabe não faremos o próximo em Marabá.


CX Marabá: Explique-nos quais os principais problemas encontrados no início da gestão, e quais os fatores positivos da Federação?
Mário Cardoso: O principal problema é o mesmo de sempre, falta de verbas. Como somos uma entidade sem fins econômicos não temos como conseguir dinheiro a não ser com a ajuda de patrocinadores, o que só vamos correr atrás em 2011. Agora o lado positivo é que a equipe que compõe a diretoria da federação é extraordinária! Eles têm compromisso com o xadrez escolar. O outro lado bom é que agora o estado do Pará pode contar uma Federação voltada para o Xadrez Pedagógico, o que não existia antes.


CX Marabá: Qual o apoio da CBX e do Governo do Estado do Pará para o desenvolvimento do xadrez estadual e se os apoios são satisfatórios ou o que está sendo feito para expandir o xadrez nas escolas paraenses?
Mário Cardoso: Nós somos filiados a Confederação Brasileira de Xadrez Escolar (CBXE), que é uma entidade em formação e estamos tentando crescer juntos. Sobre o Governo do Estado temos uma reunião marcada com o Professor Cristian da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (SEEL) com o qual nós vamos tratar justamente deste apoio. Acredito que a reunião vai nos trazer bons frutos.


CX Marabá: Como o senhor vê a implantação do Xadrez nas Escolas do Pará, como ferramenta educacional? O que está faltando para o crescimento deste segmento?
Mário Cardoso: Eu vejo como uma grande vitória que nós estamos conseguindo a implantação do xadrez nas escolas do Pará. Sabemos que não é fácil se trabalhar com o xadrez em um estado como o nosso, por três motivos: primeiro porque os meios de transportes são muito difíceis; depois vem a falta de conhecimento sobre o xadrez escolar das pessoas que vão ser envolvidas;  e além disso a grande falha dentro do nosso projeto foi a Secretaria de Estado de Educação (SEDUC) não ter disponibilizado carga horária para os professores trabalharem com o xadrez escolar. Mesmo assim, acredito que o novo governo que acaba de assumir vai dar continuidade ao projeto e vamos tentar corrigir nossas falhas para podermos crescer juntos nessa modalidade que é indispensável para a educação de nossos jovens e adultos.





CX Marabá: Por que jogar xadrez?
Mário Cardoso: Acredito que o xadrez não pode ficar fora do desenho curricular de nenhuma escola. Tem duas coisas que eu coloco sempre que me fazem esta pergunta. A primeira diz respeito às pesquisas científicas que foram feitas sobre o xadrez escolar, na qual mostram o valor do xadrez como ferramenta pedagógica que desenvolve as habilidades cognitivas dos seus praticantes, como atenção, concentração, planejamento, autoestima e várias outras. A segunda, vem da minha experiência de trabalho com xadrez presencial. São situações difíceis de acreditar para quem não viu, como o caso de um aluno em uma escola na qual eu trabalhava, que de tão “travesso” ganhou o apelido de “Satanás”. Depois de dois anos fazendo parte da equipe de xadrez se transformou em “Anjo”. Só não saiu voando porque a sua asa ainda estava pequena e outras coisas mais... Teve também o caso de um senhor viciado em jogo de baralho que estava acabando com sua família. Depois que conheceu o xadrez largou todos os vícios e passou somente a jogar xadrez. Tem também o caso de crianças em que o xadrez está ajudando no tratamento de câncer. Acredito que passaria o dia todo falando sobre a importância do xadrez no processo educativo, infelizmente o tempo é curto.


CX Marabá: Quais os projetos da Federação Paraense de Xadrez Escolar para o ano de 2011 e 2012?
Mário Cardoso: Nós da Federação estamos trabalhando com “o pé no chão”. Não queremos prometer o que ainda não podemos realizar. Vamos nos manifestar somente depois de conversarmos com a SEEL e com a SEDUC com a qual estamos fazendo um convênio, para que possamos administrar todo o xadrez desenvolvido por essa Secretaria, incluindo os Jogos Estudantis Paraenses (JEPS).


CX Marabá: Fale um pouco de sua longa experiência com o xadrez escolar e faça suas considerações finais.
Mário Cardoso: Falar da minha experiência com o xadrez escolar seria um pouco longo, pelo fato de ter quase 30 anos de trabalho com ele. Porém, posso afirmar que sempre procurei trabalhar com muita dignidade e amor, me doando de corpo e alma, sempre visando o crescimento desse esporte-ciência que faz parte da minha vida. Me dedico tando ao xadrez que talvez não soubesse fazer outra coisa na vida a não ser trabalhar com ele. Quero aproveitar a oportunidade e agradecer ao Sr. Francisco Arnilson Presidente do Clube de Xadrez de Marabá pela oportunidade de mais uma vez falar de xadrez escolar que é o que mais gosto fazer.


Valeu!!!


Mário de Nazaré Moreira Cardoso
Contatos: 8805-1022
E-mail: prof.mariocardoso@hotmail.com
É Graduado em Educação Física pela Universidade do Estado do Pará - UEPA (1980). Especialista em Aprendizagem Motora pela Universidade do Estado do Pará UEPA (1993) e Mestre em Ciência da Motricidade Humana pela Universidade Castelo Branco do Rio de Janeiro (2010). Atualmente coordena o Projeto Xadrez Escolar pela Secretaria de Estado de Educação do Pará. Seu principal foco de estudos é o Xadrez Pedagógico nas Escolas. É Presidente da Federação Paraense de Xadrez Escolar (FEPAXE) e Vice Presidente da Confederação Brasileira de Xadrez Escolar Região Norte (CBXE).


O Clube de Xadrez Marabá aproveita a oportunidade para agradecer imensamente todo o apoio e pela atenção especial de vossa senhoria para este Clube do interior do Estado. Agradecer pela entrevista e pela doação de jogos de xadrez para o município de Marabá e Parauapebas. Desde já apoiaremos todas as iniciativas que visem a disseminação desta excelente ferramenta pedagógica em todos os segmentos da sociedade paraense. Obrigado Professor Mário Cardoso!

domingo, 30 de janeiro de 2011

265 - BIG BROTHER BRASIL EM CORDEL

Reproduzo a crítica do cordelista baiano Antônio Barreto, publicada no sítio Vermelho: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=146395&id_secao=11 Republicado no sítio: http://altamiroborges.blogspot.com/2011/01/big-brother-brasil-em-cordel.html


Em Big Brother Brasil o cordelista baiano, Antônio Barreto, utiliza da literatura de cordel para satirizar o reality show produzido pela Rede Globo. Barreto critica a alienação imposta pelo programa e fala dos valores invertidos reproduzidos em rede nacional.


Big Brother Brasil


Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo herói, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania

Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

264 - BIG BROTHER BRA$IL - VALE APENA$$ PARA A REDE GLOBO

Transcrevo abaixo postagem do blog: http://suldopara.blogspot.com/ o qual apresenta um texto esclarecedor sobre o que se propõe com a realização deste programa semanal, o artigo foi postador pelo blogueiro João Carlos Rodrigues.


Mas, antes do texto do blogueiro, veja o que rola no BBB11, publicado pelo site UOL: http://televisao.uol.com.br/bbb/bbb11/ultimas-noticias/2011/01/30/lagrimas-bebida-em-excesso-e-pouca-roupa-marcam-a-madrugada.htm


Tudo começou com Diogo, que resolveu imitar as mulheres na festa anterior, e começou a passar doce no corpo das "sisters" para que os homens tirassem com a língua. Depois de fazerem a brincadeira com Michelly, Janaína e Paula, o coreógrafo foi atrás da 'ex' para saber se ela tinha ficado chateada com a brincadeira. Resultado: eles discutiram, se xingaram e foi um para cada lado chorar. Em seguida, o dançarino foi atrás da "sister" para resolver a situação, e ela acabou confessando para o baiano que foi molestada quando era criança.




Depois foi a vez de Paula chorar ao declarar para Jaqueline que a admira e gosta muito da dançarina. Pelo mesmo motivo Michelly voltou a chorar, dessa vez com Diana. Talula e Maria também fizeram declarações de amizade e companheirismo. Até o calado Rodrigão caiu no choro enquanto conversava com Igor e Cristiano.


O clima na festa esquentou e Diana, Diogo e Daniel fizeram um strip-tease para os outros "brothers". O coreógrafo foi o mais ousado e chegou a baixar a cueca e mostrar o bumbum. Cristiano jogou todo o seu charme para cima de Jaqueline e fez de tudo para ficar com a dançarina, mas ela fez jogo duro e não caiu na lábia do engenheiro. Já Diana foi mais esperta, e surpreendeu Rodrigão duas vezes com beijos na boca.


No final da festa Michelly precisou de atendimento médico, pois abusou na bebida e passou mal. Depois do susto com a promotora de eventos, alguns "brothers" ainda voltaram para a pista de dança para curtir o resto da festa.




“A VERGONHA


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A décima (está indo longe) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.


Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE.


Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.


Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).


Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.


Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?


Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.


Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.


Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.


Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).


Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.


O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!


Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani, da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.


Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?


(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores )


Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.


Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa...., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.


Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.”