sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

255 - POR DENTRO DO IDEB - QUALIDADE NO ENSINO

O QUE É


07/07/2010 10:30



Texto: Sandra Soares e Eliane Scardovelli


 O IDEB É UM DOS PILARES DO PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO



O Ideb foi criado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) em 2007, como parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Ele é calculado com base na taxa de rendimento escolar (aprovação e evasão) e no desempenho dos alunos no SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) e na Prova Brasil. Ou seja, quanto maior for a nota da instituição no teste e quanto menos repetências e desistências ela registrar, melhor será a sua classificação, numa escala de zero a dez. O mecanismo foi muito bem avaliado por especialistas justamente por unir esses fatores. Sendo assim, se uma escola passar seus alunos de ano sem que eles tenham realmente aprendido, por exemplo, isso ficará claro a partir da análise do desempenho dela no Ideb.

PARA QUE SERVE
 
O índice permite um mapeamento detalhado da educação brasileira, com dados por escolas, municípios e estados, além de identificar quem são os que mais precisam de investimentos e cobrar resultados. A Prova Brasil e o SAEB são aplicados a cada dois anos. A coleta e compilação dos dados demora cerca de um ano. Quando o IDEB foi criado, foram utilizados os dados de 2005, divulgados em 2006. Em 2008, saíram os resultados de 2007. Em 2010, foram divulgados os resultados de 2009.
 

COMO DEVE SER USADO

Para os pais, o Ideb é uma excelente ferramenta para orientar a escolha de qual escola matricular seus filhos e também para estimulá-los a cobrar, dos governantes e dos diretores das instituições, melhorias. Aos responsáveis pelas escolas, o índice aponta bons exemplos que merecem ser seguidos (colégios que precisam se aperfeiçoar podem pesquisar boas iniciativas em seus vizinhos mais bem colocados no ranking). Além de instrumento de análise, o Ideb é também um sistema de metas. As metas são estipuladas de acordo com o patamar atual de cada instituição, mas todas devem melhorar seus índices. O Ideb ainda ajuda prefeitos e governadores a radiografar quais são as escolas problemáticas e promissoras de sua rede.
 
  COMO EVOLUIU  
Os resultados mais recentes apontam as seguintes médias:
 
4,6 para as séries iniciais do Ensino Fundamental,
4,0 para as últimas séries do Ensino Fundamental e
3,6 para o Ensino Médio.
 
Em 2005, as médias eram mais baixas: 3,8; 3,5 e 3,4, respectivamente. Em 2007, elas cresceram para 4,2, 3,8 e 3,5. Nos últimos quatro anos, os números cresceram em todas as etapas do ensino. Tanto que, no geral, os objetivos previstos para 2009 foram atingidos antes da hora.
 
Apesar disso, os números ainda são muito inferiores aos dos países desenvolvidos, que apresentam média 6,0. O objetivo é alcançar essa marca até 2021.
 
 
O QUE É PRECISO PARA DAR CERTO
 
Estados e municípios devem usar os resultados do índice como parâmetro para orientar a melhoraria do ensino em sua rede. Uma análise das instituições campeãs do ranking mostra que medidas simples trazem resultado. O que essas escolas têm de diferente, no geral, é seu empenho em ensinar, ou seja, o compromisso de cada educador com seus alunos. Traduzindo em exemplos: nesses colégios mais bem colocados, a média de permanência do diretor no cargo é de no mínimo três anos, contra a média nacional de doze meses. Outro: neles lê-se pelo menos quatro livros por semestre, enquanto a maior parte das escolas brasileiras não faz exigência de leitura. A porcentagem de professores com curso superior completo também é maior nos endereços mais próximos da excelência (92% contra a média nacional de 68%).

Obs.: Em breve postaremos mais sobre as notas do IDEB, das escolas marabaenses do Ensino Fundamental: do 1º ao 5º e do 6º ao 9º ano.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

254 - ENSINO INTEGRAL AVANÇA NO PAÍS, MAS FICA LONGE DE META

21/12/2010 - 11h39


Folha de São Paulo
FÁBIO TAKAHASHI - DE SÃO PAULO
ANGELA PINHO - DE BRASÍLIA
Levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Educação aponta que o número de alunos de escolas públicas com período integral cresceu 16% em um ano.
Mesmo com o aumento, só 6% dos alunos têm hoje ao menos sete horas diárias de jornada, ante as tradicionais quatro. Plano Nacional de Educação, enviado pelo Executivo ao Congresso, prevê que suba a 50% até 2020.
O Chile, melhor sul-americano em exames internacionais, já tem a maioria dos alunos do ensino médio em uma jornada ampliada.
O MEC avaliou como positiva a evolução apresentada no Censo Escolar 2010. Segundo a pasta, essa modalidade cresce devido a incentivos financeiros às escolas com jornada maior.


"A evolução é positiva, mas preocupa como a jornada tem sido aumentada", diz a pesquisadora da USP Maria Letícia Nascimento. "Em geral, não há projeto adequado para as horas extras."


Em tese defendida na USP, a pesquisadora Ana Maria de Paiva Franco mostrou que quem estuda mais de cinco horas na rede privada alcança melhor nota, mas na pública isso não se repete.


"O desafio para aumentar o crescimento é encontrar professor. Já há dificuldade no tempo parcial, em quantidade e qualidade", disse o presidente da ONG Todos pela Educação, Mozart Neves.


O Censo mostrou também que caíram as matrículas da educação básica, resultado da redução da repetência e da mudança na metodologia, segundo o governo.


O MEC mostrou preocupação com a queda de 7% na EJA (antigo supletivo).


A redução pode prejudicar o país no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que considera a escolaridade dos adultos.




20/12/2010
Folha de São Paulo
NÚMERO DE MATRÍCULAS NO ENSINO PÚBLICO REGULAR CAI 2,54% - CRECHES TÊM ALTA




O número de alunos matriculados na rede pública regular de ensino caiu 2,54% entre 2009 e 2010 (de 39.830.989 para 38.816.041 alunos), somando as matrículas em creches, pré-escola, ensino fundamental e ensino médio. Das três fases de ensino, comparadas isoladamente, apenas as matrículas em creches registraram alta.


Os números são do resultado final do Censo Escolar 2010, publicado nesta segunda-feira em portaria no "Diário Oficial da União". O levantamento é feito anualmente pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), ligado ao Ministério da Educação.




O número de matrículas na pré-escola caiu 4,47% (de 3.717.105 para 3.550.942 matriculados). No ensino fundamental, a redução foi de 3,39% (de 27.612.066 para 26.675.320 alunos). O ensino médio teve a menor redução: 0,15% (de 7.254.184 para 7.242.808 matrículas). Já as matrículas em creche registraram alta de 7,96% (de 1.247.634 para 1.346.971alunos).


Ainda segundo o Censo Escolar, somando a rede regular com a educação para jovens e adultos (EJA) e o ensino especial, o Brasil tem 42,9 milhões de alunos matriculados.


A imagem retratada pelo censo continua sendo a de um funil: o sistema escolar brasileiro tem quase o dobro de alunos nos anos iniciais do ensino fundamental em comparação com as matrículas no ensino médio. De acordo com os dados, coletados entre maio e agosto deste ano, o país registrava 13,4 milhões de matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano; com crianças a partir dos 6 anos) e 7,1 milhões de matrículas no ensino médio (1º ao 3º ano).


Os dados do Censo Escolar são coletados pela internet (sistema Educacenso). Segundo o Inep, além de dados sobre matrícula, as escolas enviam informações sobre os professores em regência de aula, as condições físicas da escola e dados sobre cada um de seus alunos, incluindo: nome completo, data de nascimento, sexo, cor/raça, nome dos pais, naturalidade, endereço residencial, necessidades de atendimento escolar diferenciado, utilização de transporte público, necessidades educacionais especiais e rendimento escolar do ano anterior.

253 - A CHAGA DA EDUCAÇÃO

Editorial da Revista ISTOÉ


Carlos José Marques, diretor editorial
Fonte: Revista Istoé 2144 de 15 de dezembro de 2010


Extenuante, incompatível com o excepcional momento de avanço do país, a tragédia da educação brasileira – que se arrasta secularmente desde a colonização – continua a exibir sem retoques suas marcas. Na semana passada, de maneira vergonhosa, o Brasil voltou a figurar no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA). Estava na rabeira! Entre as 65 nações analisadas, o Brasil era o 53º colocado.

Segundo a organização que elabora o levantamento, os jovens brasileiros estão ao menos três anos defasados em relação aos chineses no campo da leitura. A maior parte deles (69,1% do total) ficou no Nível 1 de conhecimentos de matemática, em uma escala com seis graus de pontuação. A qualidade de ensino por aqui se mostrou tão ruim que, entre os 20 mil alunos brasileiros participantes da bateria de provas, mais da metade não passou da primeira etapa. Um desempenho sofrível tanto de alunos de escolas públicas como de escolas privadas. Enquanto a média mundial de pontos no exame girou no patamar de 496 acertos, a brasileira ficou na casa de 401. Demonstração inequívoca de que o País relegou sim a um segundo plano o preparo adequado de seu futuro.

Os candidatos brasileiros apanharam feio e situaram-se atrás de estudantes da Tailândia, do Uruguai, da Colômbia, do Azerbaijão, da Turquia, do Casaquistão, de Trinidad e Tobago, do Chile. É melhor parar por aqui para estancar a humilhação. A síntese do problema chama-se investimento no aprendizado. A capacitação, o conhecimento dos alunos que saem de colégios nacionais e das inúmeras faculdades que não param de aparecer – como caça-níqueis enganosos, vendendo diploma em troca de nada – é, para dizer o mínimo, lamentável. Invariavelmente, os que almejam galgar melhores posições no mercado precisam passar por cursos extracurriculares, quase sempre no Exterior. Curiosamente, hoje no mundo corporativo a grande discussão trata da falta de mão de obra qualificada. Um mal para o qual a única saída é uma mobilização geral – de governantes, instituições de ensino e, especialmente, empresas – que priorize recursos para a área. O diagnóstico da chaga não é novo. Surpreendente é a apatia, o descaso, a quase inércia que toma conta do País diante do mal maior, que conspira contra o seu próprio desenvolvimento.


O MINISTRO RESPONDE


(Texto presente na mesma revista)


TOMA-LÁ-DÁ-CÁ


FERNANDO HADDAD, ministro da Educação


IstoÉ - Por que os estudantes têm dificuldade em leitura e matemática?
Haddad - Apesar dos avanços, é preciso reconhecer que nossa dívida educacional é secular. Por isso, temos apontado a necessidade de trabalhar ainda mais na valorização do magistério.


IstoÉ - O que fazer para tirar o Brasil do fim da fila?
Haddad - Não é bem assim. Enquanto o Brasil melhorou, nossos vizinhos, à exceção do Chile, permaneceram no mesmo patamar de 2000.


IstoÉ - É possível elevar o investimento em educação para 7% do PIB?
Haddad - Entendo que 7% do PIB anual é uma meta factível. No governo Lula, o investimento em educação já evoluiu de forma consistente.


E aí, respondeu? Convenceu-se?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

252 - PNE PROMETE ENSINO INTEGRAL PARA 50% DAS ESCOLAS ATÉ 2020

A educação em tempo integral deverá ser oferecida em 50% das escolas públicas e os cargos de direção ocupados mediantes critérios técnicos, mérito e desempenho, investir na valorização e formação dos profissionais do magistério, atingindo a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores. Estas são algumas das 20 metas que constam do projeto de lei do novo Plano Nacional de Educação (PNE) e que devem ser alcançadas até 2020. O PNE foi apresentado ao presidente Lula na manhã desta quarta-feira 15, pelo ministro Fernando Haddad, da Educação.




AS 20 METAS DO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO


1: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de 4 e 5 anos, e ampliar, até 2020, a oferta de educação infantil de forma a atender a 50% da população de até 3 anos.










2: Criar mecanismos para o acompanhamento individual de cada estudante do ensino fundamental.


3: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%, nesta faixa etária.


4: Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino.


5: Alfabetizar todas as crianças até, no máximo, os 8 anos de idade.


6: Oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação básica.


7: Atingir as médias nacionais para o Ideb já previstas no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE)


8: Elevar a escolaridade média da população de 18 a 24 anos de modo a alcançar mínimo de 12 anos de estudo para as populações do campo, da região de menor escolaridade no país e dos 25% mais pobres, bem como igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com vistas à redução da desigualdade educacional.


9: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e erradicar, até 2020, o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional.


10: Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.


11: Duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta.


12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta.


13: Elevar a qualidade da educação superior pela ampliação da atuação de mestres e doutores nas instituições de educação superior para 75%, no mínimo, do corpo docente em efetivo exercício, sendo, do total, 35% doutores. Sete estratégias.


14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores. Nove estratégias.


15: Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios, que todos os professores da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.


16: Formar 50% dos professores da educação básica em nível de pós-graduação lato e stricto sensu, garantir a todos formação continuada em sua área de atuação.


17: Valorizar o magistério público da educação básica a fim de aproximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente.


18: Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de ensino.


19: Garantir, mediante lei específica aprovada no âmbito dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, a nomeação comissionada de diretores de escola vinculada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar.


20: Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir, no mínimo, o patamar de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.